Sunday, April 6, 2025

Atalhos

 Mantinha os olhos no chão. Andava sonolento pela viela, conhecia cada mancha daquele piso imundo. O celular estava sem bateria. Um cachorro latia ao longe.

Uma lufada de vento gelado o fez fechar a jaqueta — uma malha fina, ruim.

A janela era algo novo: madeira pintada de um vermelho vivo, que se destacava da parede. A parede, embora a mesma confusão visual de sempre, parecia diferente.

Quando olhou para trás, não reconheceu o caminho. Era escuro, sem luzes, com curvas suaves demais para serem naturais.

Parecia uma caverna. Um túnel.
Como se tivesse sido escavado por alguma criatura vinda de um sonho.